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Para Nuno Roque, director-geral da APIRAC, a EPBD constitui “um dos pilares da ambição política na transição para um futuro mais equilibrado e sustentável”. O responsável mostra-se confiante no trabalho que tem vindo a ser desenvolvido desde o final de 2024 e defende que a experiência acumulada ao longo da última década, aliada à colaboração entre os diferentes agentes do sector, contribuirá para uma implementação eficaz da directiva em solo nacional.
Embora reconheça que o incumprimento do prazo poderá ter consequências para o Estado português, a associação entende que “importa sim acautelar uma transposição segura e adequada”. Nesse sentido, a APIRAC reafirma a sua disponibilidade para continuar a colaborar com as entidades responsáveis pelo processo: “A APIRAC, tal como aconteceu em anteriores Directivas da EPBD, e ao abrigo do protocolo existente com a ADENE, disponibiliza-se para contribuir sempre que se entenda a conveniência da sua participação, de que é exemplo recente os contributos para as Fases I e II dos trabalhos de transposição”.
A posição da associação surge numa altura em que o sector aguarda a publicação da regulamentação nacional que permitirá concretizar as novas exigências europeias em matéria de eficiência energética, descarbonização dos edifícios e promoção de soluções tecnológicas mais sustentáveis.
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Os resultados do estudo encomendado pelas organizações E3G, Transport & Environment e Electrification Alliance baseiam-se em mais de cinco mil entrevistas realizadas em França, Alemanha, Espanha, Itália, Polónia e surgem numa altura em que a crise no Estreito de Ormuz ultrapassa os 100 dias, reforçando as preocupações em torno da segurança energética europeia.
Em média, 64% dos inquiridos consideram que reduzir a dependência dos combustíveis fósseis importados torna a Europa mais segura, enquanto oito em cada dez europeus defendem que os países europeus devem trabalhar em conjunto, sendo que seis em cada dez consideram que essa cooperação se tornou ainda mais importante no actual contexto geopolítico. Os autores do estudo destacam que o apoio às tecnologias de electrificação ultrapassa as tradicionais divisões partidárias, incluindo entre eleitorados de centro-direita. Em Itália, 76% dos eleitores do Fratelli d’Italia manifestam apoio às bombas de calor. Em França, o apoio a esta tecnologia é semelhante entre os eleitores de Emmanuel Macron (69%) e Marine Le Pen (67%). Segundo as organizações promotoras da iniciativa, estes resultados demonstram que a electrificação deixou de ser encarada apenas como uma medida de política climática, assumindo-se cada vez mais como uma questão de segurança estratégica.
Para Paul Kenny, director-geral da Associação Europeia de Bombas de Calor (EHPA), a mensagem dos cidadãos é clara: “A segurança e a protecção vão além da política partidária. Os europeus percebem que as bombas de calor e outras medidas de electrificação reduzem a nossa dependência de importações de combustíveis fósseis, caras e provenientes de exportadores pouco confiáveis”, afirma. O responsável considera que tanto a União Europeia como os governos nacionais devem acelerar a transição energética e responder às expectativas demonstradas pelos cidadãos. A mesma ideia é partilhada pelas organizações que encomendaram o estudo, que apelam a uma aceleração das políticas de electrificação e a um reforço da cooperação energética entre os Estados-Membros. Os resultados da sondagem surgem numa fase em que Bruxelas prepara o Plano de Acção para a Electrificação, considerado pelas organizações promotoras como uma oportunidade decisiva para acelerar a substituição dos combustíveis fósseis por soluções eléctricas de baixo carbono. As entidades defendem que o consenso entre os cidadãos oferece aos decisores políticos uma margem de actuação significativa para avançar com medidas de apoio à electrificação. O estudo foi realizado pela YouGov entre 6 e 18 de Maio de 2026, no âmbito do inquérito mensal European Political Monthly. A amostra total incluiu 5149 adultos, distribuídos por França (1009), Alemanha (1095), Espanha (1035), Itália (1003) e Polónia (1007).
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Redes inteligentes e cibersegurança no centro da estratégia
A SolarPower Europe considera que o roteiro estabelece uma base importante para transformar a inovação digital em benefícios concretos para consumidores, empresas e operadores do sistema energético. Em comunicado, Dries Acke, vice-director executivo da associação, sublinhou que “a digitalização e a IA estão a tornar-se indispensáveis para a construção de um sistema energético mais flexível, eficiente e resiliente”. Segundo o responsável, estas tecnologias irão permitir optimizar o funcionamento das redes eléctricas, aumentar a flexibilidade do lado da procura e acelerar a integração das energias renováveis, contribuindo simultaneamente para a redução dos custos do sistema, o reforço da segurança energética e a descarbonização da economia europeia. A associação alerta, contudo, que o sucesso da estratégia dependerá da sua implementação prática. Entre as prioridades identificadas estão a aceleração da instalação de redes inteligentes e de contadores inteligentes, bem como um reforço da coordenação entre os diferentes sectores envolvidos. A cibersegurança surge igualmente como um dos pilares da estratégia europeia. A crescente digitalização do sistema energético aumenta a exposição a ameaças híbridas e cibernéticas, tornando essencial o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial que garantam segurança.
Crescimento dos centros de dados levanta desafios
O aumento da utilização da inteligência artificial está também a impulsionar a expansão dos centros de dados. A Comissão Europeia definiu, em Abril de 2025, o objectivo de triplicar a capacidade dos centros de dados na União Europeia nos próximos cinco a sete anos. A SolarPower Europe defende que o crescimento destas infraestruturas deve ser acompanhado por um planeamento mais inteligente, maior flexibilidade operacional e uma coordenação mais estreita entre os vários intervenientes do sistema energético. A associação considera ainda que a combinação entre energia solar e armazenamento em baterias representa uma solução particularmente adequada para integrar os centros de dados de forma rápida e sustentável.
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